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TAURUS SHO: ESPORTIVO COM DNA JAPONÊS

O Ford Taurus SHO (Super High Output) surgiu em 1989 como uma resposta audaciosa da montadora americana à crescente invasão de sedãs esportivos europeus e japoneses no mercado norte-americano. O Taurus convencional já era um sucesso estrondoso de vendas graças ao seu design aerodinâmico revolucionário para a época, mas a Ford precisava de uma versão de imagem que demonstrasse capacidade de engenharia de ponta. 

Originalmente planejado como uma série limitada de produção para apenas três anos, o SHO pegou o público e a crítica de surpresa, entregando um desempenho que rivalizava com carros esportivos dedicados, mas com o espaço e a praticidade de um sedã familiar de quatro portas.

O grande coração e a razão de ser da primeira geração do Taurus SHO ficavam sob o capô: um motor V6 de 3,0 litros desenvolvido em parceria com a Yamaha. A Ford havia encomendado à fabricante japonesa um motor compacto e de alta rotação para um projeto de carro esportivo de motor central que acabou cancelado, decidindo então aplicar o propulsor no Taurus. O resultado foi uma obra-prima da engenharia mecânica da época, apresentando bloco de ferro fundido, cabeçotes de alumínio com duplo comando no para-brisa (DOHC) e quatro válvulas por cilindro. Visualmente impressionante com seus coletores de admissão tubulares e sinuosos, este motor gerava 223 cv a impressionantes 6.200 rpm, uma marca extraordinária para um motor aspirado daquele período.

A transmissão que acompanhava esse bloco de alta rotação na primeira geração era exclusivamente manual de cinco marchas, fornecida pela Mazda (modelo MTX-IV). Essa escolha técnica reforçava o caráter purista do sedã, permitindo ao motorista explorar a faixa de corte de giros que passava das 7.000 rpm. Com esse conjunto mecânico, o Taurus SHO acelerava de 0 a 100 km/h na casa dos 6,6 segundos e atingia uma velocidade máxima superior a 230 km/h. Para a virada da década de 1990, esses números colocavam o modelo da Ford no mesmo patamar de desempenho de sedãs de luxo alemães bem mais caros, como o BMW M5 da época, custando apenas uma fração do preço.

A segunda geração, lançada em 1992, manteve a essência mecânica da Yamaha, mas trouxe refinamentos estéticos e uma importante atualização técnica para expandir o seu mercado. Cedendo aos pedidos dos consumidores norte-americanos, a Ford introduziu uma transmissão automática de quatro velocidades em 1993. Para compensar a perda de eficiência da caixa automática e manter o torque em baixas rotações, a cilindrada do motor V6 Yamaha foi ampliada para 3,2 litros. Embora a potência máxima declarada permanecesse nos mesmos 223 cv, o torque subiu, garantindo que o sedã mantivesse suas respostas ágeis mesmo sem o pedal de embreagem.

Em 1996, com a chegada da terceira geração e o polêmico design oval da Ford, o SHO passou por sua transformação técnica mais radical até então. O motor V6 foi substituído por um inédito bloco V8 de 3,4 litros, também com cabeçotes de alumínio desenvolvidos pela Yamaha e bloco fundido pela Cosworth. Esse motor produzia 238 cv. Após um hiato de dez anos, a marca ressuscitou a mítica sigla em 2010 sobre a plataforma da quarta geração do Taurus moderno, adotando uma filosofia mecânica completamente diferente e adaptada ao século XXI. No lugar dos motores aspirados de alta rotação criados por parceiros asiáticos, entrou em cena o motor Ecoboost: um V6 de 3,5 litros com injeção direta de combustível e duas turbinas. Esse motor moderno entregava expressivos 370 cv.

O exemplar da matéria é um representante da segunda geração e traz a configuração com câmbio automático. Vale destacar que o carro efetivamente acorda após os 3.500 giros e, nesse momento, da pra notar um som mais agudo do motor Yamaha. Um carro raro no Brasil que sempre chama atenção por onde passa.

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Renato Bellote, 46, é jornalista automotivo em São Paulo e colunista dos portais Supertopmotor, Autoo e Carsughi. Nesse canal traz avaliações a bordo de clássicos, superesportivos, picapes e modelos atuais do mercado.

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