SANTANA GX5 OETTINGER: bom gosto e 160 cv

Lançado no início da década de 1980 na Europa, o Volkswagen Santana surgiu como uma derivação de três volumes da segunda geração do Passat (B2). O objetivo da marca alemã era oferecer um sedã tradicional de perfil mais requintado e executivo para competir em um segmento superior. Dentro dessa estratégia de posicionamento mercadológico, a versão GX5 destacou-se no topo da gama européia, simbolizando o ápice do conforto, sofisticação e desempenho tecnológico que a plataforma poderia entregar na época.
O grande diferencial técnico e o verdadeiro coração do Santana GX5 residiam sob o capô: o renomado motor de 5 cilindros em linha (o código JS), derivado diretamente da engenharia da Audi. Com capacidade cúbica de 2 litros (1.994 cm³), essa mecânica longitudinal entregava uma potência de 115 cv de potência. A escolha por essa arquitetura peculiar de cinco cilindros visava equilibrar a suavidade de funcionamento e a entrega de torque de um motor de seis cilindros com a compacidade e a eficiência de um bloco de quatro cilindros.







Em termos de engenharia e dinâmica, o GX5 trazia um refinamento mecânico notável para o período. A alimentação ficava a cargo do sistema de injeção mecânica contínua Bosch K-Jetronic, garantindo respostas lineares ao acelerador e excelente confiabilidade. O conjunto era acoplado a uma transmissão manual de 5 marchas — muitas vezes focada em economia na última relação (a famosa caixa 4+E) — ou a uma opção automática de 3 velocidades. A suspensão dianteira utilizava o sistema McPherson, enquanto a traseira adotava um eixo de torção com efeito autodirecional, proporcionando um comportamento dinâmico seguro, firme e tipicamente alemão.
Visualmente, a versão GX5 se diferenciava pelos acabamentos exclusivos e pelo nível de equipamentos de série, que incluía detalhes cromados discretos, lavadores de faróis, rodas de liga leve exclusivas e o emblemático logotipo “GX5” na traseira. Por dentro, o padrão de luxo era evidenciado pelos bancos de veludo de alta qualidade, painel com instrumentação completa (incluindo economômetro) e isolamento acústico aprimorado para valorizar o ronco característico do motor de cinco cilindros. Hoje, o modelo é uma raridade disputada por colecionadores do universo VW Classic, sendo considerado um marco da transição tecnológica da marca rumo a segmentos premium.



Nessa matéria temos a publicação da revista espanhola Autopista com a avaliação do carro. Ela foi colorizada digitalmente para aumento de qualidade. E mostra como as mudanças da preparadora alemã – incluindo aumento de cilindrada para 2,5 litros – que fazem o carro chegar a 160 cv realmente mudavam o seu comportamento e o tornavam ainda mais exclusivo.
Abaixo temos um vídeo de um exemplar original na Alemanha.
Garagem do Bellote Ver tudo
O maior e mais antigo canal de carros clássicos do Brasil.
Renato Bellote, 46, é jornalista automotivo em São Paulo e colunista dos portais Supertopmotor, Autoo e Carsughi. Nesse canal traz avaliações a bordo de clássicos, superesportivos, picapes e modelos atuais do mercado.
Garagem do Bellote TV: paixão por carros!
Imagens protegidas pela Lei de Direitos Autorais (Nº 9610/98)
