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Hofstetter Turbo

Asa de gaivota

É um pássaro? É um avião? Não, é um Hofstetter, o fora-de-série nacional diferente de tudo que o pessoal estava acostumado a ver nos anos 80. Visual arrojado, ronco grave e as portas…Bem, vamos conhecê-lo de pertinho, andar na máquina e falar um pouco desse esportivo que até hoje causa frisson por onde passa.

Turbo

Futurista

Hofstetter

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Fora-de-série

VÍDEO

Me encontrei com o criador da obra-prima, Mário Richard Hofstetter, em um sábado. A tarde ficou pequena para tanta história e curiosidades acerca do carro. Algumas das passagens mais divertidas aconteceram logo após o desenvolvimento das primeiras unidades. “De 1975 a 1984 poucos sabiam ao certo o que era”, conta. “Muitos diziam ser uma Williams, outros algum modelo da Lotus e por aí vai”, relata com um largo sorriso.

O modelo – que teve como uma das inspirações o Alfa Romeo Carabo – foi apresentado oficialmente no salão do automóvel de 1984. Era equipado com motor VW turbo e tinha aproximadamente 140 cv brutos. O estande da empresa atraiu uma fila enorme de curiosos. Todos queriam ver e tocar no carro, já que naquela época as importações eram proibidas no país e vivíamos sem muitas novidades.

Quase vinte e três anos depois de abrir uma edição da revista Quatro Rodas, em 1986, e ficar boquiaberto com o teste da máquina (eu tinha sete anos na ocasião) pude fazer isso pessoalmente. O exemplar das fotos, ano 1991, (número 17 dentre 18 fabricados), é fotogênico sob qualquer ângulo e ainda mais impressionante ao vivo.

Abri a porta asa de gaivota – uma coisa incrível, mesmo hoje em dia – com facilidade e me acomodei no banco. Dá até pra se sentir como o Michael J. Fox – só que voltando ao passado. O painel digital desperta curiosidade e muita coisa inovadora já podia ser vista. A abertura das portas, por exemplo, do lado de fora e de dentro, é feita através de um pequeno botão.

Recentemente ele recebeu um upgrade mecânico. Palavras do dono: “O trabalho levou um ano. Começamos de um motor zero com injeção, que passou para 2100 cm³ de cilindrada, taxa 9:1, novo turbo com 4 regulagens eletrônicas de pressão, desenvolvendo cerca de 300 cv brutos. Tudo a cargo do Ricardo Malanga”. Pude comprovar essas mudanças em uma pequena volta de alguns quarteirões. E como anda!

E mesmo em 2009 pelo menos cinco pessoas pararam para perguntar e admirar o modelo futurista por um bom tempo. Além disso, o vídeo recebeu dezesseis avaliações cinco estrelas em apenas um dia e excelentes críticas de alguns visitantes estrangeiros. Isso deixou a certeza de que o sonho – baseado em um ótimo projeto – não acabou. E o melhor: ele é made in Brazil.

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Renato Bellote, 41, é jornalista automotivo em São Paulo e colunista do portal IG. Nesse canal traz avaliações a bordo de clássicos, superesportivos, picapes e modelos atuais do mercado.

Garagem do Bellote TV: paixão por carros!

Imagens protegidas pela Lei de Direitos Autorais (Nº 9610/98)

15 comentários em “Hofstetter Turbo Deixe um comentário

  1. Conheci o Mário nos meus rolês de domindo à tarde na av. Cidade Jardim e ele sempre atenciosos a explicar o carro. Creio que seu \”azar\” tenha sido o lançamento do Hoffstetter pouco antes da liberação da imposrtação de veículos pelo Governo Collor. O carrro chamava (e chama) muito a atenção.Uma pena.Imagine o que o Mário não estaria fazendo nos dias de hoje.Para mim, era a Lamborghini Countach brasileira.Abs a todos.Eduardo Soveral

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  2. Parabéns Renato pela reportagem, conseguir fotografar um sobrevivente de qq espécie, já é uma virtude, qto mais de um modelo tão digno e raro.Conheci a fábrica do Hofstetter na Rua Gomes de Carvalho na Vila Olimpia em São Paulo, não era uma grande linha de montagem, mas era uma linha de montagem de um grande carro. Sobre seu desenho, continuo com minha opinião sobre seu modelo inspirador ser o Maserati Boomerang, conforme publicação que fiz no http://www.pumaclassic.com.br/2009/03/fora-de-area_04.html . Opiniões a parte, realmente o Hofstetter tinha tudo para brilhar se não fosse o Collor. Não que a sua atitude de abertura dos portos fosse errada, pelo contrário, nossa defasagem mundial se deve ao isolamento, mas o Collor deveria ter feito um mecanismo de proteção para os produtos nacionais, como fazem os países desenvolvidos. E em virtude da concorrência estrangeira estar 20 anos a frente da nacional, muitos foram sacrificados, um deles o magnífico Hofstetter, que realizou o desenho dos carros conceitos Carabo ou Boomerang, seja qual foi sua inspiração.

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  3. Excelente matéria!Sou apaixonado por este veículo desde que vi a reportagem na revista mencionada, e isso foi lá pelos anos 80 ainda.Parabéns ao senhor Mario e parabéns ao site também.

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  4. Olá!Tenho um Hofstetter 1987 a venda! Ele é lindo, apresenta-se ainda TODO original, inclusive os pneus, com apenas 23.000 km rodados. Ele está impecável, com bancos de couro, praticamente ainda zero!Vocês conhecem alguém que tenha interesse em comprá-lo? Estou colocando a venda, se souberem de alguém, por favor, comuniquem comigo!E-mail para contato: f.imports@yahoo.com.brAguardo contato de vocês!

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  5. Anônimo disse: \”Creio que seu \”azar\” tenha sido o lançamento do Hoffstetter pouco antes da liberação da imposrtação de veículos pelo Governo Collor.\”Mas, anônimo, o carro foi apresentado no salão do automóvel de 1984, e o Collor assumiu a presidência em 1990. Quanto mais tempo precisava? Em seis anos de reserva de mercado só 18 foram fabricados.

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  6. Fui no salão na época e vi este lindo carro exposto, se não me engano tinha um pendurado na vertical, na época este carro foi uma das estrelas do salão! Não me esqueço e jamais me esquecerei desde dia!

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  7. Meu amigo vc está coberto de razão, eu também fui ao salão do automóvel e tinham 3 Hofstetters, um pendurado na vertical, um inclinado de lado e um em posição normal. Nunca me esquecerei! Amo esse carro até hoje.Milton Bicalho

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  8. Olá Pessoal, posso dizer que eu fui um privilegiado por ter tido uma raridade desta e mais o único a ter na versão automática, eu e o Mario demos o nome de TURBOMATIC. Lembro que combinamos passear em Ilha Bela ele com o seu Prata e o meu branco, paramos Ilha Bela.

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