Ir para conteúdo

Porsche 911: 50 anos em 10 minutos

A paixão por carros começa mesmo na infância. Já falei sobre isso em alguns posts. E desde pequeno o Porsche 911 chama minha atenção. Na verdade, exatamente aos 7 anos de idade, comprei uma revista especial que trazia apenas pôsters de carro.

Logo na segunda página um 911 Turbo daquele ano, chamado pelos norte-americanos de 930, prendeu meu olhar por longos minutos. O desenho era esportivo, com os tradicionais pára-lamas mais largos e o aerofólio se destacando no conjunto. A partir daquele momento ele passou a ser, em minha opinião, sinônimo de carro esportivo para sempre.

Passados mais de 25 anos pude realizar o desejo de trabalhar com automóveis. E uma data especial passou a fazer parte da pauta: os 50 anos do 911. Já havia andado em um modelo e no 914, mas a simples – e desafiadora – idéia de conhecer essa história a fundo passou a me acompanhar dia e noite.

Cinqüenta anos de história. Sete gerações. Um recordista nas pistas de corrida e em track days. Mergulhei de cabeça na pauta e passei a empenhar todos os meus esforços e contatos em busca desse objetivo editorial. E também um bocado de diversão. Nesse post falo de todos, mas os leitores irão conhecer alguns deles através de matérias individuais.

A primeira geração foi lançada em 1963. O estilo agradou logo de cara, mesmo que sua missão fosse bastante árdua: substituir o 356, um clássico da marca. Mas a proposta de tração traseira e baixo peso mostrou predicados e logo as vendas deslancharam.

Nesse caso tive a oportunidade de andar em um Targa S de 1969. Além de ser a primeira versão com esse tipo de carroceria, esse exemplar traz o motor de 2 litros e 130 cv a 6.100 rpm, capaz de levá-lo aos 211 km/h de velocidade final.

A geração “G” chegou em 1973. E seu modelo mais conhecido é o mítico Carrera RS, um carro de homologação que ganhou as ruas para se tornar um ícone alemão. O vídeo traz um pouco sobre ele na figura de um belo tributo equipado, inclusive, com o motor de 2,7 litros e 210 cv.

Essa geração ficou marcada também pela chegada da versão Turbo. Nesse ponto o desempenho já era levado a sério pela marca, com especial atenção para o turbolag e a carroceria mais larga. Em outras palavras, o exemplar de 1977 foi aquele sonho de criança que se tornou realidade, com o propulsor de 3 litros e 260 cv.

Pouco mais de uma década mais tarde chegaria a 964. Dezenas de mudanças e aperfeiçoamentos marcaram essa transição, com mais eletrônica e segurança. Uma das novidades foi o aerofólio, acionado automaticamente em velocidades mais altas. Isso se tornou uma característica dos 911 a partir de então.

O período marca também a chegada da tração integral, o Carrera 4, que dá início a uma nova fase do modelo. Vale salientar também a volta do Targa. Foi exatamente isso que vimos a bordo de um exemplar de 1991, que tem poucas unidades no Brasil.

Três anos mais tarde chegou ao mercado a emblemática 993, a última com o motor boxer refrigerado a ar. Tanto o estilo quanto o desempenho marcaram época e por essa razão para muitos aficionados essa é a última geração marcante do 911.

Para comprovar isso andamos na versão Carrera 4S, com tração integral e a mesma carroceria do Turbo. Este último, aliás, também passou a contar com tração nas quatro rodas. Um outro exemplar marcante da matéria foi o amarelo, com kit de carroceria GT2 e aproximadamente 650 cv.

A 996 foi um divisor de águas. Água, por sinal, foi a palavra que definiu essa mudança. O motor refrigerado a água dividiu os fãs e muita gente torceu o nariz para a novidade. O estilo da carroceria, com as funções integradas no farol dianteiro, também não agradou a todos.

Mas mesmo assim a considero como uma das melhores gerações. Mais tecnologia e um novo painel fazem parte desse contexto. Aceleramos a versão Turbo, com kit X50 e 450 cv, além do escapamento esportivo. E foi uma tarde pra ser lembrada por algum tempo.

A 997 retomou alguns detalhes da 993 e trouxe de volta alguns apaixonados. O 911 atingia a maturidade sob vários aspectos. Versões bastante especiais como GT3, GT3 RS e Turbo S mantiveram o modelo em destaque no mercado.

Foi assim que conheci uma das versões mais legais: a Carrera GTS. O exemplar que aparece no vídeo tem as rodas de cubo rápido e transmissão manual, duas coisas que conferem a ele um estilo muito interessante. O GT2 RS também marcou presença em nossos vídeos.

E fechando os 50 anos com toda a esportividade possível temos a geração 991. A marca investiu milhões e melhorou o que faltava para tornar o 911 quase perfeito. Acelera, freia e tem um equilíbrio bem próximo do ideal. E atualmente temos o Turbo S e o GT3, com o câmbio PDK exclusivo.

E foi justamente a bordo de um Carrera S cedido pela Stuttgart que fechamos o especial. Os predicados das outras versões se somam até chegar a essa, incrivelmente bem construída. E após terminar a edição final revi a matéria toda em silêncio por várias e várias vezes, como aquele menino de 7 anos maravilhado com um Porsche 911 na capa da revista.

Categorias

Artigos

Garagem do Bellote Ver tudo

Renato Bellote, 41, é jornalista automotivo em São Paulo e colunista do portal IG. Nesse canal traz avaliações a bordo de clássicos, superesportivos, picapes e modelos atuais do mercado.

Garagem do Bellote TV: paixão por carros!

Imagens protegidas pela Lei de Direitos Autorais (Nº 9610/98)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: