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Gurgel Motomachine: pra quem não tem medo da falta de privacidade

Gurgel

“É a versão antiga do Smart?”. Essa pergunta já foi feita algumas vezes ao proprietário do pequeno modelo, Ricardo Gurgel, quando sai pra dar uma voltinha com o Motomachine. Passados dezoito anos de sua fabricação, ainda atrai olhares, gestos de surpresa e a curiosidade geral, especialmente das crianças, que sempre – acreditem – abanam a mão ao vê-lo.

Motomachine

Dois cilindros

VÍDEO

A primeira impressão é de que se trata de um automóvel simpático. Um bom adjetivo para descrever a combinação inusitada de carro e moto, fruto da imaginação genial do engenheiro João Augusto do Amaral Gurgel. Além disso, é equipado com o econômico motor de dois cilindros e 800 cm³ de cilindrada, capaz de percorrer mais de 25 quilômetros com um litro de gasolina, segundo divulgado na época.

Ao entrar, a sensação é de espaço. Não pelo tamanho do habitáculo, mas por causa das portas transparentes, que passam a idéia de liberdade. O painel pode ser totalmente ajustado. Quer um conversível? Simples, basta retirar o teto. Muito sol? Sem problema, apenas coloque a capota de lona e aprecie o passeio.

Através das portas e do escapamento com ronco diferenciado – justamente para dar a idéia de motocicleta – é possível observar o asfalto e também ser visto por quem está andando na calçada e nos outros carros. Algo no mínimo curioso em uma cidade como São Paulo, onde os motoristas estão acostumados a viver atrás de películas escuras.

“Ele foi adquirido em 2005, após ler um anúncio na internet e sou o terceiro dono”, revela. “A restauração total demorou cerca de oito meses, com procura de algumas peças e pesquisa das cores. O trabalho foi realizado na Super-Fibra. Dei preferência ao João, pois como ele trabalhou na Gurgel no desenvolvimento dos carros, tem grande conhecimento do modelo”, ressalta.

Aliás, a compra envolve uma história interessante. “Eu sempre via este carro estacionado em uma rua de grande movimento dos Jardins. Por duas vezes tentei comprá-lo e fui rudemente rechaçado pelo proprietário, com a alegação de que não havia placa de vende-se. E qual não foi minha surpresa ao ver no documento antigo o endereço do bairro?”, conta.

Voltando à restauração, surgiu outra idéia. “Originalmente era prata e decidimos pintar nas cores do modelo que foi para o Salão do Automóvel no seu lançamento, conhecido por “margarida”, pois tinha uma flor estilizada no capô. Ainda possui o rádio e o estepe, ambos originais”, revela.

Ágil. Racional. Econômico. Versátil. Seguro. Confortável. Essas qualidades vinham estampadas no folheto de lançamento. Até podemos incluir mais uma: revolucionário. Talvez o país não estivesse preparado para esse conceito de futuro que seu criador previu. Qualidades que combinam perfeitamente com o lema da marca: “Gurgel: tecnologia inteligente”.

Garagem do Bellote Ver tudo

Renato Bellote, 41, é jornalista automotivo em São Paulo e colunista do portal IG. Nesse canal traz avaliações a bordo de clássicos, superesportivos, picapes e modelos atuais do mercado.

Garagem do Bellote TV: paixão por carros!

Imagens protegidas pela Lei de Direitos Autorais (Nº 9610/98)

4 comentários em “Gurgel Motomachine: pra quem não tem medo da falta de privacidade Deixe um comentário

  1. Ví um desses quando fui no início deste ano a Maceió na cor branca, em uma das avenidas mais movinetadas da capital alagoana , a Av. Fernandes Lima, e em bom estado de conservação, pena que na ocasião estava a câmera , senão teria tirado uma foto, estava no carro com o meu irmão, que ao ver o pequeno veículo me perguntou o que era aqui e eu respondi que era o Motomachine, um dos nossos city cars, fiquei olhando pela janela do banco do passageiro, houve um momento em que ficamos empareado e acenei para o motorista do carro fazendo sinal de aprovação, era um domingo ensolarado e o acompanhava sua esposa (pelo menos eu acho que era), ele sorriu e respondeu com um adeus, o sinal abriu e os nossos caminhos seguiam em direções diferentes…pena que os pequenos Gurgel não vingaram, os achava modelos bastante curiosos na minha infância, sobretudo o supermini, um dos mais belos da linha Gurgel.Matéria com gostinho de resgate da nossa memória automobilística. Parabéns.abs.ALYSSON PRADO \”BALO\”

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  2. Muito bacana, Renato. Pena que ainda hoje haja tão poucas opções de carros urbanos à venda em nosso mercado.Agora, quanto à afirmativa no folheto publicitário da Gurgel de que o Motomachine é um veículo seguro, sei não… acho que eu levaria meu próprio airbag antes de dar uma voltinha nele.

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