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TESTE DE 15 DIAS: FIAT TORO RANCH

Quando esse segmento – onde atualmente estão apenas a Toro e a Renault Oroch – surgiu ouvi muita gente dizendo que as picapes médias seriam afetadas por elas. Na verdade, é um nicho distinto, mesmo que possa tirar um ou outro comprador típico veículos desse porte da gama superior. 

Mas a Toro, por conta da carroceria monobloco, tem um comportamento bastante distinto que lembra bastante um automóvel de passeio. Talvez por isso seu público-alvo seja até mais amplo, sem os sacolejos tradicionais da caçamba como pano de fundo, bastante atenuados nos modelos atuais, diga-se de passagem, e que não representam algo desagradável.

Mas conquistar um segmento novo fez da Fiat líder absoluta se levarmos em conta as picapes derivadas de automóveis (conheceremos a nova Strada em breve) e o nicho de Toro e Oroch.  

Sobre o estilo os designers da marca trabalharam para conferir uma identidade visual própria. Basta notar pelas luzes diurnas que ficam no topo da dianteira, enquanto os faróis estão mais abaixo no desenho. A ergonomia da tampa traseira também foi uma boa ideia, bem como os estribos laterais.

Motor, câmbio e dirigibilidade

Essa é uma equação de sucesso. Aliás, vale ressaltar, já falei em outras matérias sobre o fato de Renegade e Compass, dois produtos desenvolvidos sobre a mesma plataforma da picape, serem as únicas opções de SUVs com a possibilidade do motor a diesel. Só a Toro traz seis versões nesse sentido. 

Há algum tempo testamos uma opção que já não está mais disponível no mercado, porém me agradou bastante. Era uma Toro à diesel com câmbio manual. Preferências à parte a transmissão de nove velocidades faz muito bem seu trabalho. A primeira é curta e na estrada as marchas altas garantem um bom consumo.

Falei acima sobre a carroceria monobloco. E isso realmente afeta, de maneira positiva, a dirigibilidade. A própria torção da carroceria em movimento pouco lembra uma picape com sua distribuição irregular de peso. Nas curvas o comportamento dinâmico também é elogiável com pouca rolagem lateral.

Um dos responsáveis pelo destaque na condução em trechos sinuosos, mesmo quando em velocidade mais elevada, é o conjunto de suspensão, independente nas quatro rodas. A única picape média que traz algo parecido, porém semi-independente, é a Nissan Frontier.   

Na estrada o motor diesel traz pouco ruído em velocidade de cruzeiro, o que permite viajar por algumas horas sem cansaço. Ponto positivo para os bancos, com abas nas laterais e bastante cômodos, sendo o do motorista elétrico nessa versão Ranch. 

No centro do painel está o seletor para as opções fora-de-estrada. Nesse sentido temos o 4×4 convencional e a reduzida, necessária em momentos de baixa tração. Apesar disso os pneus não são de uso misto e têm perfil 60, o que colabora também para o bom comportamento no asfalto.

Tecnologia a bordo

A primeira coisa que chama a atenção nos modelos mais completos da linha Fiat, incluindo a Jeep, é o painel recheado de informações, que faz a alegria de todo motorista preocupado com os detalhes do carro, tais como: pressão de óleo, horas do motor e voltímetro, tão esquecido nos dias atuais. O painel TFT de 7 polegadas tem uma navegação bastante simples e objetiva.

Na parte interna vale salientar a luz de caçamba e os sensores de estacionamento, crepuscular e de chuva. A central multimídia está bem posicionada e traz aplicativos como Android Auto e Apple Carplay, porém poderia ser um pouco maior nessa versão topo de linha. Ar-condicionado dual zone e um conjunto de tomada 12V e USB para os passageiros completam o pacote.  

Sobre conforto a bordo há o porta-objetos central refrigerado e o banco do passageiro que possuiu uma gaveta sob o assento e quebra o galho quando a ideia é levar mais itens. Ergonomicamente alças de apoio estão bem localizadas tanto para o motorista quanto para o passageiro.   

 Consumo

Os modernos motores turbodiesel geralmente têm uma boa equação de consumo no uso misto. No caso da Toro temos o Multijet de 2 litros entregando 170 cv e ótimos 35,6 kgfm de torque a baixíssimos 1.750 giros. Esse conjunto não só garante boa economia como números interessantes: 8,5 km/l no percurso urbano e 14,2 km/l na estrada.     

Segurança

Sete airbags, incluindo o de cabeça e de joelho. Freios a disco na dianteira.

Sentimos falta

A versão testada é a mais completa da gama juntamente com a Ultra e traz itens de segurança, conforto e conveniência, além do padrão estético e os exclusivos emblemas Ranch espalhados pelo carro. Mas a Fiat peca nos porta-acessórios. Há apenas um porta-copo no painel, de modo que o telefone tem que ir solto no banco. Freios a disco na traseira também seriam uma boa opção.

Ficha técnica

Motor: 2 litros, turbodiesel

Câmbio: automático, 9 marchas

Potência: 170 cv a 3.750 rpm

Torque: 35,6 kgfm a 1.750 rpm

Capacidade de carga: 1.000 kg

Tanque de combustível (litros): 60

Peso (kg): 1.920

Suspensão dianteira: Independente

Suspensão traseira: Independente

Rodas e pneus: 18 polegadas, 225/60 R18

Comprimento (mm): 4.915

Altura (mm): 1.746  

Largura (mm): 1.844

Distância entre-eixos (mm): 2.990

Versões e preços

Toro Endurance 1.8 Flex MT5 – a partir de R$ 99.990,00

Toro Endurance 1.8 Flex AT6 – a partir de R$ 107.990,00

Toro Freedom 1.8 Flex AT6 – a partir de R$ 119.990,00

Toro Endurance 2.0 Diesel 4×4 AT9 – a partir de R$ 138.990,00

Toro Freedom 2.0 Diesel 4×4 AT9 – a partir de R$ 150.990,00

Toro Volcano 2.0 Diesel 4×4 AT9 – a partir de R$ 163.990,00

Toro Ranch 2.0 Diesel 4×4 AT9 – a partir de R$ 170.990,00

Toro Ultra 2.0 Diesel 4×4 AT9 – a partir de R$ 172.990,00        

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Renato Bellote, 41, é jornalista automotivo em São Paulo e colunista do portal IG. Nesse canal traz avaliações a bordo de clássicos, superesportivos, picapes e modelos atuais do mercado.

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