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F-1000 foi sinônimo de picape Ford nos anos 80

O segmento de picapes médias no Brasil é bastante disputado. Esse nicho surgiu por aqui em meados dos anos 90 com a chegada da S10 e também da Ranger. Naquela época as vendas da Hilux não incomodavam as rivais norte-americanas, ao contrário de hoje onde o modelo da Ford amarga a quarta colocação.

Mas antes disso, nos anos 80, quem pensava em picapes – grandes, naquele período – escolhia entre duas opções que tinham pontos parecidos e alguns diferentes. A linha F da Ford e a linha 10 da Chevrolet, depois substituída pela linha 20, eram os sonhos de consumo de quem podia pagar caro por uma delas.

A história da série F começou no final da década de 40. Naquele tempo as picapes precisavam ser resistentes e extremamente confiáveis para dar conta do trabalho pesado tanto na cidade quanto no campo. E logo ela provou ser uma pedra no sapato da Chevrolet, que já tinha duas décadas à frente no segmento.

Dando um salto no tempo chegamos ao exemplar da matéria, que esbanja originalidade. Aliás, vale salientar que é um caso excepcional entre caminhonetes, especialmente naquela época, onde a utilização principal era, sem sombra de dúvida, no trabalho diário. Poucas sobreviveram a este período sem as marcas do tempo.

No caso dessa F1000 o primeiro dono havia comprado e utilizava somente para uso urbano. Por essa razão ela permaneceu protegida e longe do trabalho pesado. Com o falecimento precoce do proprietário permaneceu um período com a família até chegar às mãos do atual colecionador que também possui outros exemplares.

Dirigir a picape é uma tarefa prazerosa. O motor MWM de 3,9 litros e 86 cv tem um comportamento interessante. Ele esquenta e libera a tradicional fumaça juntamente com o cheiro característico do diesel. Isso realmente me lembrou da infância quando andei bastante em uma delas que pertencia a um tio muito próximo.

A F1000 permaneceu no mercado até o final dos anos 90 quando foi substituída pela F250. Essa certamente merece uma matéria própria. Depois disso infelizmente as marcas apostaram apenas nas picapes médias, deixando órfãos os fãs das grandes, reconhecidas pelo trabalho e também pela capacidade de proporcionar bons momentos na hora do lazer.

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Renato Bellote, 41, é jornalista automotivo em São Paulo e colunista do portal IG. Nesse canal traz avaliações a bordo de clássicos, superesportivos, picapes e modelos atuais do mercado.

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