Ir para conteúdo

Escort XR3, um esportivo europeu no Brasil

Em 1984 o Brasil estava em um período de transição. A ditadura militar dava as últimas cartas e o cenário de maior liberdade cultural ficava mais claro. O movimento das “Diretas já” ecoou sobre todos os níveis da sociedade.

w

Nessa mesma época vivemos um período de renovação – para alguns modelos – também na indústria automobilística. Com a proibição das importações surgiram alguns modelos fora-de-série e outros esportivos que passaram a fazer parte do imaginário popular.

O Escort XR3 era um deles. A Ford contratou como garoto-propaganda um jovem que começava a despontar na Europa. Seu nome era Ayrton Senna. A química entre o carro e o piloto ficou perfeita, desde o primeiro comercial na televisão que teve um grande impacto no público jovem.

“Eu tenho um”, dizia Senna no final do vídeo. E rapidamente o XR3 se tornou um sonho de consumo. Pequeno, ágil e com um desenho bastante chamativo, logo provocou uma fila de espera nas lojas, lembrando que o preço salgado – e sem financiamento – fazia dele um carro de poucos.

O modelo foi uma aposta da marca e deu certo. O país vivia um atraso em relação aos modelos europeus – ainda acontece hoje – mas logo após seu lançamento no velho continente o Escort, geração MK3,desembarcou por aqui.

No ano de 1984 chegaria a versão esportiva. O XR3, sigla de Experimental Research 3, trazia vários diferenciais em relação às outras versões, começando pelos quatro faróis auxiliares, que chamavam atenção à distância e logo se tornaram foco dos ladrões.

Olhando em detalhes vemos também o jogo de rodas exclusivo da versão, apêndices laterais – que reforçaram a idéia esportiva – e o discreto aerofólio. Outra novidade foi o lavador de faróis, item comum na Europa e Estados Unidos, mas visto pela primeira vez em nosso mercado.

Internamente mais novidades. Talvez um dos itens mais lembrados seja o volante de pequeno diâmetro, além dos vidros elétricos e o teto-solar com manivela. Esse exemplar traz ainda toca-fitas da Philco e os porta-fitas no console central. 

O XR3 europeu utilizava um motor moderno, que conferia a ele um desempenho verdadeiramente esportivo. Por aqui a Ford decidiu utilizar o CHT, da linha Corcel, mas com algumas modificações específicas para essa versão, como carburador Weber, cabeçote com válvulas de 40 milímetros e coletor de escapamento maior.

Essas mudanças garantiam 82 cv para o motor de 1,6 litro, com torque de 12,2 kgfm. Não era nenhum puro-sangue, mas conseguiu obter bons elogios da imprensa especializada. Em março de 1986 a Revista Quatro Rodas aferiu o 0 a 100 em 13,4 segundos e velocidade máxima de 163 km/h. Bom para os padrões da época.

Guiar o esportivo nos leva diretamente para o passado. Aliás, busco exatamente isso em cada matéria: entender o contexto em que o modelo foi vendido e buscar o que ele significou para o público e o consumidor. No caso do Escort as relações de marcha são boas e ele mostra vitalidade.

Outro slogan utilizado pela Ford foi “A máquina total”. E dando uma pequena volta pude perceber que o carro, prestes a completar trinta anos, volta a ter o destaque que merece. Em breve trarei aqui seu maior rival: o Gol GT. Até lá! 

Categorias

Artigos

Tags

Garagem do Bellote Ver tudo

Renato Bellote, 41, é jornalista automotivo em São Paulo e colunista do portal IG. Nesse canal traz avaliações a bordo de clássicos, superesportivos, picapes e modelos atuais do mercado.

Garagem do Bellote TV: paixão por carros!

Imagens protegidas pela Lei de Direitos Autorais (Nº 9610/98)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: