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F100: UMA HISTÓRIA DE TRABALHO

A Ford F-100 marcou época no mercado brasileiro como uma das picapes mais robustas e versáteis já produzidas. Durante décadas, ela foi utilizada tanto no campo quanto nas cidades, conquistando motoristas pela resistência mecânica e pela capacidade de carga. Entre as versões mais curiosas da linha estava a equipada com motor 2,3 litros movido a álcool, uma configuração que refletia o momento econômico e energético vivido pelo Brasil nos anos 1980.

Este propulsor surgiu em um período em que o programa nacional de incentivo ao etanol ganhava força. A crise do petróleo levou as montadoras a investirem em alternativas ao combustível fóssil, e a Ford adaptou parte de sua linha para atender essa nova demanda. Na picape o conjunto mecânico buscava unir economia de combustível e manutenção relativamente simples características importantes para trabalhadores rurais e pequenos comerciantes.

Apesar de ter menor potência em comparação às versões maiores da picape, o motor 2.3 com 84 cv entregava torque suficiente para o uso diário e para serviços leves. Muitos proprietários destacavam a suavidade de funcionamento do motor a álcool e a facilidade de encontrar peças de reposição em praticamente qualquer região do país.

O visual da F100 também ajudou a consolidar seu sucesso. Com linhas retas, frente imponente e caçamba ampla, a caminhonete transmitia sensação de força e imponência. Mesmo equipada com um motor menor, ela mantinha a identidade robusta típica das picapes Ford da época. Seu interior era simples, porém funcional, oferecendo conforto suficiente para longas jornadas em estradas de terra ou rodovias.

Outro ponto marcante da versão 2,3 litros a álcool era o custo operacional relativamente baixo. Em uma época de constantes mudanças nos preços dos combustíveis, o etanol se apresentava como uma solução econômica para muitos brasileiros. Isso fez com que fosse bastante utilizada por produtores rurais, transportadores independentes e pequenos empresários que precisavam de um veículo resistente sem gastar tanto no abastecimento.

Com o passar dos anos se transformou em um veículo de valor histórico e afetivo. Muitos exemplares ainda circulam pelo Brasil, preservados por colecionadores e apaixonados por carros antigos. As versões a álcool, especialmente as menos comuns, despertam interesse justamente por representarem um capítulo importante da indústria automotiva nacional e da adaptação tecnológica daquele período.

É o caso deste exemplar de 1985 que permanece como o mesmo proprietário ha alguns anos. A dirigibilidade é leve, especialmente nessa fase onde se aposentou do trabalho e segue agradando nos passeios e viagens de final de semana. 

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Renato Bellote, 46, é jornalista automotivo em São Paulo e colunista dos portais Supertopmotor, Autoo e Carsughi. Nesse canal traz avaliações a bordo de clássicos, superesportivos, picapes e modelos atuais do mercado.

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