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Lobini H1: fora-de-série nacional esbanja diversão ao volante

Lobini

Quando se fala em veículos fora-de-série produzidos no Brasil, logo pensamos nas diversas opções que foram vendidas há vinte ou trinta anos. Naquela época havia menos tecnologia e os carros eram feitos, sobretudo, pela obstinação de seus criadores.

H1

180 cv

VÍDEO

O tempo passou, o país reabriu as importações em 1990 e os modelos idealizados por aqui praticamente sumiram. Eu disse praticamente. No final da década, a idéia de um esportivo nacional ganhou força e forma. Era o Lobini H1.

Como o leitor pode imaginar, do conceito original à prática o caminho é longo e tortuoso. Quando chegou às ruas passou pelo crivo de revistas especializadas e agradou pelo desempenho e estilo. Em 2006 a empresa mudou de mãos.

Estive visitando a fábrica, em Cotia, a convite de Antonio de Gennaro, diretor comercial. Por lá pude conhecer o processo todo de fabricação do carro, dos moldes à confecção do chassi, montagem e acerto técnico dos componentes.

Ao contrário do que se pensa, a Lobini está a todo vapor. A marca passou por uma reformulação, incluindo aí o preço do esportivo, que custa agora a partir de R$ 130 mil. Além disso, novos projetos estão em fase de acabamento ou teste. O coração está pulsando.

TEST-DRIVE

E por falar em coração disparado, aproveitei a visita para dar uma volta. O trânsito na rodovia Raposo Tavares é um pouco carregado durante a semana, mas foi possível sentir um pouco do carro e do projeto idealizado inicialmente por Fábio Birolini, atualmente à frente da EB Tech (também conheci essa oficina, mas farei um post específico).

A porta abre com um simples toque no botão. O estilo “tesoura” é diferente do convencional. Um pequeno jogo de corpo para entrar no cockpit e já me senti confortável. O carro é pequeno – 3,7 m – e dá a sensação de vestir o motorista. A visão dos retrovisores, surpreendentemente, é muito boa, e até mesmo a do espelho central. A posição de dirigir baixa, por outro lado, é um convite a pisar fundo.

Para dar a partida, é só girar a chave e apertar o botão vermelho bem ao lado. O ronco do motor turbo de 1,8 litro, 20 válvulas e 180 cv brutos agrada, obra do escapamento de inox. O volante de três raios tem ótima empunhadura. Para quem não abre mão do conforto, ele tem ar-condicionado, direção hidráulica e sistema de som.

Saímos. Confesso que nem olhei o CD player. Após passar pela segunda lombada, uma pisada para sentir a saúde do motor e ouvir a turbina trabalhando, uma das melhores melodias pra quem gosta de carro. A embreagem é dura, de modo que o motorista leva um tempinho pra pegar o jeito, mas logo nos entendemos bem.

Nas ruas a curiosidade é geral. Aqui fica claro que uma das invenções mais democráticas do homem foi mesmo o telefone celular com câmera. Saindo da fábrica seguimos até o viaduto para entrar na estrada. Redução de marcha, a turbina enche com disposição e a pressão extra é liberada quando engato a terceira marcha. Divertido.

Como já foi dito, a idéia era só dar uma voltinha. Mas ele tem conforto para andar muitos quilômetros. Aproveitando a relação peso/potência favorável, nada melhor do que diminuir uma ou duas marchas, pisar fundo e deixar o motorista que vem atrás com uma cara de espanto.

Outro detalhe é o teto removível, com um engenhoso sistema para prendê-lo sobre a tampa do motor. Perfeito para dias ensolarados. Enfim, o Lobini traz um conceito diferente e passou a ser uma opção interessante no mercado. Afinal, que outro carro pode trazer tanto status e prazer de dirigir por esse valor inicial?

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Renato Bellote, 41, é jornalista automotivo em São Paulo e colunista do portal IG. Nesse canal traz avaliações a bordo de clássicos, superesportivos, picapes e modelos atuais do mercado.

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Imagens protegidas pela Lei de Direitos Autorais (Nº 9610/98)

10 comentários em “Lobini H1: fora-de-série nacional esbanja diversão ao volante Deixe um comentário

  1. O Lobini chama mesmo a atenção,tem um aqui na cidade também nesta mesma cor azul do modelo mostrado no vídeo, outro dia o ví saindo de uns do shoppings da cidade, todos torceram o pescoço para apreciar o modelo.Reportagem completíssima Bellote, e os cliques ficaram muito bons, como se isso fosse um drama nesta galeria!Parabéns pormais este ensaio e vídeo.abs.ALYSSON PRADO \”BALO\”

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  2. O lobini é um modelo com o qual eu muito simpatizo. Lembrei do post da lambo replica, que eu critiquei, e volto a dizer que um carro não é nada sem uma identidade própria, e o lobini tem isso, sem duvida. Fico feliz em saber que a fabrica ainda funciona, mesmo após 2 anos sem vender sequer um único carro. Eu muito gostaria de ver a lobini mais popularizada, são pouquíssimas as pessoas que eu conheço que ja ouviram falar nela pelo menos uma vez.O carro é muito bonito, e a potência do motor é suficente. Gostei muito das fotos, parabéns.

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  3. Lembrei de outra coisa que gostaria de falar. A lobini tem um site oficial que já a muito tempo não é atualizado. Bem que vocÊ poderia sugerir ao diretor comercial que lhe fez o convite de visita que eles dessem mais atenção ao site, principalmente com informações sobre os novos projetos e tudo mais. Se não me engano, no configurador do site, o carro ainda está com o preço antigo.

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  4. ate q gostei do carinho!! mais nao compraria!!! por 130mil da de compra muitos carros bons e com potencia… claro q naum seria um carro \”unico\” mais msm assim por 130 comprava uma bmw ou um audi!!! bem mais bonito por sinal…

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  5. Ólha o carro até é interessante, mas esse preço é simplismente absurdo, por isso ele não emplaca. Um carro que é um frankenstein,feito com peças de outros carros, com um motor ultrapassado e de pouca potência, com um acabamento simples… pórtas tesoura,nóssa !!!! Qualquer um põe hj em dia por menos de R$1500,00.Honestamente e sem querer desmerecer o trabalho deles, acho que algo em torno de R$50.000,00 já seria razoável.Parabéns pelo blóg e pelas excelentes matérias.

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  6. O carro em si não é ruim, apenas está fora do contexto para o nosso país, hoje a realidade é muito diferente de 20, 30 anos atrás, hoje produzir para poucos não é algo bom, é um carro caro, e por mais que eu goste dele, nessa faixa de preço a muitas opções melhores, até por menos, mas não sou arrogante de dizer quando eles tevem cobrar pelo que carro. Apenas acho que está maneira de produzir para poucos hoje não é mais viavel, pelo menos em nosso país.

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  7. Tem gente que diz preferir uma bmw 320i básica. Mas gente, quem for comprar um Lobini já tem uma BMW ou outro carro de luxo qualquer.Agora, quem comprar um desses tem que chipar pra atingir os famosos 220cv do S3. Já ví donos que fizeram isso é o carro ficou ainda melhor!

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  8. Sei que é muito difícil, mas o que falta nesses esportivos nacionais de todos os tempos é ser totalmente de fabricação nacional, inclusive o motor. Além disso precisaria de ter uma qualidade de construção altíssima. Não é fácil disputar com o status de um Mercedes, de um BMW, então pra competir com esses caras tem que se pensar grande, não é tarefa fácil. Se eu tivesse muito dinheiro, após comprar um Mercedes, teria como segundo carro o Lobini, pela exclusividade e por que não, para prestigiar essa iniciativa nacional, eu seria um garoto propaganda sim.

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  9. Bellote… Tá faltando propaganda e uma boa razão para as vendas do Lobini alcançarem um nível satisfatório.Vendo um vídeo da Quatro Rodas, descobri que o Lobini é bom de drifting, e essa modalidade automotiva está meio que \”na moda\”, e carros mais \”invocados\” como o Mitsubishi Eclipse não podem participar porque, ironicamente, a tração do Eclipse é dianteira.Se patrocinar um piloto de drifting, as vendas desse carro poderão aumentar, e muito.Outra sugestão, que eu acho que poderia ser considerada, é a adoção de um motor V6, recomendo o VR6 3.0 do Passat alemão. Motor importado por motor importado, vamos pegar um mais forte, né? E essa versão apimentada poderia entrar na GTbr4, seguindo a filosofia \”Corra no domingo, venda na segunda\”.Sei lá, foi só uma sugestão. Agora que estão \”no forno\” carros mais potentes feitos no Brasil, como o Vorax e o DoniRosset que, apesar de serem absurdamente caros, vão ser comparados com o Lobini (E ganhar em tudo), seria bom uma revisão completa da questão de mercado do Lobini. E, como o carro é esportivo, a estratégia de mercado passa obrigatoriamente pelas competições.

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  10. O preço está muito alto mesmo, por esse valor eu partiria para uma réplica em fibra de um Hot Rod que com 130 mil vc consegue por um belo motor V6 ou V8 de alta potencia, ar condicionado, vidros elétricos, trava, direção hidráulica, suspensão independente e chassi tubular.Enfim,exclusividade por exclusividade sou mais uma réplica de um Ford 37 sofisticada que um carro desses que nem tem tanta tecnologia assim pelo preço praticado.abraços

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